segunda-feira, 22 de outubro de 2007

A Casa

Deixar a luz entrar...
Sentir de novo aquela dor...
Deixar a luz entrar...
Perdoar... há tanto tempo que eu queria mudar...
A pouco e pouco respirar aquele amor que foi...
Perdoar...

Sentir de novo aquela dor
A pouco e pouco respirar aquele amor que foi vivido e esquecido, em segredo. Como ninguém.
Deixar a luz entrar...
Perdoar. Como perdoar? Há tanto tempo que eu queria mudar, queria voltar... Aceitar.
Agora, deixar o dia passar devagar, assim ficar...

Sentir de novo aquele amor
A pouco e pouco consolar aquela dor que foi vivida e sofrida, em silêncio.
Chegar de novo. Sentir o amor... voltar a casa sem pensar, deixar a luz entrar, esquecer aquela mágua sem ter medo, como ninguém.

Encontrar, poder encontrar todas as coisas que eu não soube dar, saber amar...
Aceitar... Deixar que o tempo te faça voltar... Saber esperar...
Rodrigo Leão

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

no elevador

Subo pelo mesmo elevador de todos os dias a pensar no teu beijo. Como é bom, mesmo quando é pequenino.
Foi uma boa noite, apesar de pequenina, foi agradável, sorridente.
Correr de mãos dadas com pessoas, entre risos infantis, mas que valem mesmo a pena, são sinceros.
Tenho saudades tuas...porém, a verdade é que nunca corremos de mãos dadas enquanto nos ríamos muito alto, só por rir...só porque correr faz muitas cócegas, só porque dar as mãos faz ainda mais.. Davas-me a mão muitas vezes(para saber se estava ali?..estou sempre). Davas-me a mão como se fosse, minha, a tua mão. Mas nunca te ris, com as gargalhadas ingénuas, "naif", que hoje dei. E não por não seres feliz, acho... só porque, amando ao longe não se vê o grande que é, quando é, ao perto (ou vê-se mais?...mostra-o!)
Talvez falte soltar-se uma parte que te faça dançar, que te faça rir, mesmo rir, que nem criança, só por rir, quando se foge para uma espécie de segredo, não secreto.
Talvez te falte falar ou escrever, ou gritar.
Talvez te falte soltar.
E, enquanto espero e o resto se abre e se solta e sorri... subo no elevador e espero que, pelo menos, a verdade possa também mostrar que me dá a mão e ri muito alto...de nada, para o nada...só por ser verdade e ter vontade de sorrir. Rir comigo, não de mim, nunca de mim!
Só o dar "as mãos, as mãos dadas".
E dizer.
E sorrir. Rir. Alto. De felicidade.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

...

Depois de pintar as unhas cor de cereja e de beber sangria... achar que só pode correr tudo bem. E tudo corre mal.
E mal é mau...é tudo...o resto.
Encontrei todas as pessoas que são as tuas pessoas. E que me fizeram chorar só porque estavam onde eu estava hoje, e tu podias estar. Encontrei ainda as minhas pessoas. Mas fizeram-me também chorar. Porque deixaram de estar. E as pessoas que podiam ser as nossas... e são, porque são parte de nós.
Num virar de costas, as costas, deixam-nos sós.
Chorei ao abraçar as tuas pessoas. Abracei, enquanto chorava, as minhas pessoas. E, no fim, nenhumas dessas... pessoas... foram, no fim, pessoas.
As teorias de sempre... as mais bonitas teorias que, sempre correm bem... nas teorias.
Nesta, como em todas as noites, o "chega depressa", não chega nunca.

Mas, enfim, cheguei à nossa casa.
Trouxe-me um taxista bêbado, embriegado!
Não me fez diferença, desde que me trouxesse àquela que, sendo minha, é para mim, a nossa "casa. Quieta." À espera.
Quase sem já ... esperar.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Il pleut dans ma chambre...


E até compreendo...

quando as palavras prendem e só correm por dentro.
Quando te dói e não dizes porque sabes que vou chorar e evitas-me o sofrimento.
Diz-me o que estás a sentir...
não me deixes fugir
antes que algo aconteça,
antes de poderes ficar sem a minha presença,
antes de algo findar.

Fala comigo e não para mim
Sente comigo e não para ti.
Faz tudo acontecer...
Faz-me sorrir e esquecer.

Diz exactamente o que sei e não ouço.
(não faças do que sentes uma resposta, simplesmente... mostra)

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

"Vem por...aqui"

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces,
estendendo-me os braços,
e seguros de que seria bom que eu os ouvisse quando eles me dizem:
"Vem por aqui!"
Eu olho-os com os meus olhos lassos
(há nos meus olhos ironias e cansaços)
e cruzo os braços
e nunca vou por ali."

José Régio

"Um imenso Adeus"

«Nunca pensei. Juro que não imaginei o que vai acontecer, como poderia supor que eras capaz?
Vivemos tudo em conjunto:a faculdade, as noites de fim-de-semana, o futebol (...) até os almoços em família. Prometemos um ao outro um amor eterno, palavras agora sem sentido pela tua decisão. Não vale a pena recordar-te como tudo começou, a tua cabeça já está longe. Só queria lembrar-te o que me fizeste lutar (...) amores tipo pedra aos 21anos nunca fizeram sentido para mim. E nunca desisti de ti. Procurei-te em toda a parte durante meses, suportei a tua recusa vezes sem conta.
E no verão (espero que ao menos não negues isto!) soltou-se qualquer prisão dentro de ti, o meu amor fez o resto. Vivemos dois anos um para o outro. Por isso não aceito, prefiro acabar tudo. Não suporto não te ver todos os dias, não te ter a meu lado sempre que te desejo. Como queres que aceite a tua decisão do modo racional que propões?
Deixei crescer a raiva dentro de mim, espero sinceramente que não te aconteça nada de mal, mas que te arrependas toda a vida.
Não, não te irei visitar, nem telemóvel, nem mail, acabou. Depressa irei regressar à minha vida antes de ti. A tua ausência dá-me dores, raivas, vontades de partir coisas, faz crescer dentro de mim um monstro que não consigo (ou não quero?) mandar embora.
Vai, vai para o teu Erasmus, não me digas mais nada, não tentes explicar. Leva contigo a única coisa que te posso dar: um imenso Adeus.»

Engraçado, o que encontramos quando (re)viramos as coisas antigas... Esta crónica foi escrita pelo Daniel Sampaio, na revista XIS a 8 de Abril de 2006. Não tem, para mim, nem o sentido nem o propósito pelos quais foi escrita, mas, ainda assim, faz-me esboçar um pequenino sorriso. Acho que... bem, pelo menos, pela ironia de a ter encontrado, de novo, nesta altura da minha (nossa?) vida, merece estar aqui.
Bom Erasmus, para ti.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

(o silêncio)

"todas as casas onde a paixão tocou as pessoas com a sua força arrebatadora se enchem desse conteúdo obscuro."
"As velas ardem até ao fim"... - ir à procura do que quero enquanto ficas aqui sentado...
"se ninguém as apagar"... não tem que ter a ver, não tem nada a ver..."até ao fim do pavio"...
pavimento húmido, escorregadio, todos os dias, chuvosos... exposição de mulheres de vermelho, paixão, espanto, alegria... quarto vermelho de segredos, púdicos segredos.
menino de negro, ou de branco ou simplesmente - menino. Sentado, que finge e gosta e finge gostar.
"Ame. Ria. Sorria. Alegre-se. Apaixone-se. Arrepie-se." Dispa-se. FUJA! Esconda-se.
Último cigarro... jazz numa noite de Outono. Pintar o cabelo, pintar só a cara. Sentar, sorrir e acenar. O portão fechado. Nunca se abre.
Gostava de te desenhar a desenhar. Mas talvez não estejas a desenhar talvez nem saibas. Estás só sentado, parado no teu próprio sobressaltado mundo... de negro, todo de negro. Ao de leve uma mão toca-te a face, é a tua...face, a tua mão. Não mostras sequer a cara...
Ainda chove lá fora? Não consigo ver. O Principezinho, meu principezinho... incomparável! Afinal não era o último cigarro...
Assaltos de vontade de escrever, sem escrever nada...
(As gotas ainda estão aqui)
podia ser pior, dar-me para gritar. Sorrir e acenar. A quem?
Frio... é só o Outono a sorrir. Sem acenar.