«Nunca pensei. Juro que não imaginei o que vai acontecer, como poderia supor que eras capaz?
Vivemos tudo em conjunto:a faculdade, as noites de fim-de-semana, o futebol (...) até os almoços em família. Prometemos um ao outro um amor eterno, palavras agora sem sentido pela tua decisão. Não vale a pena recordar-te como tudo começou, a tua cabeça já está longe. Só queria lembrar-te o que me fizeste lutar (...) amores tipo pedra aos 21anos nunca fizeram sentido para mim. E nunca desisti de ti. Procurei-te em toda a parte durante meses, suportei a tua recusa vezes sem conta.
E no verão (espero que ao menos não negues isto!) soltou-se qualquer prisão dentro de ti, o meu amor fez o resto. Vivemos dois anos um para o outro. Por isso não aceito, prefiro acabar tudo. Não suporto não te ver todos os dias, não te ter a meu lado sempre que te desejo. Como queres que aceite a tua decisão do modo racional que propões?
Deixei crescer a raiva dentro de mim, espero sinceramente que não te aconteça nada de mal, mas que te arrependas toda a vida.
Não, não te irei visitar, nem telemóvel, nem mail, acabou. Depressa irei regressar à minha vida antes de ti. A tua ausência dá-me dores, raivas, vontades de partir coisas, faz crescer dentro de mim um monstro que não consigo (ou não quero?) mandar embora.
Vai, vai para o teu Erasmus, não me digas mais nada, não tentes explicar. Leva contigo a única coisa que te posso dar: um imenso Adeus.»
Engraçado, o que encontramos quando (re)viramos as coisas antigas... Esta crónica foi escrita pelo Daniel Sampaio, na revista XIS a 8 de Abril de 2006. Não tem, para mim, nem o sentido nem o propósito pelos quais foi escrita, mas, ainda assim, faz-me esboçar um pequenino sorriso. Acho que... bem, pelo menos, pela ironia de a ter encontrado, de novo, nesta altura da minha (nossa?) vida, merece estar aqui.
Bom Erasmus, para ti.
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1 comentário:
faço-o por mim,é verdade..mas para no fim te mostrar que resistimos a tudo..
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