quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Pelo menos, antes, conseguia. Faltam-me as palavras, nesta altura. Sobram-me as imagens...algumas não tão boas. Fica esta.

com saudades, muitas! dos dias em que nos fazíamos sempre sorrir.*
"A marca da nossa ignorância é a profundidade da nossa crença na injustiça e na tragédia. O minuto de escuridão que a lagarta considera o fim do mundo, é o momento ensolarado que a borboleta considera o princípio."


Richard Bach

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

e sem qualquer nota de rodapé...a despedida foi, de facto despedida.
e agora nem sei que faça!

domingo, 11 de novembro de 2007

Acabou?

Não há maneira de fugir do que se leva dentro da cabeça, mesmo no mais distante ponto sideral.
Se eu própria me bastasse fugiria para sempre. Do teu corpo, das mãos quentes.
É muito difícil pensar em ti no passado. É um mistério tão grande o não saber onde ficaram os nossos gestos, o não poder voltar a ouvir as tuas palavras.
Tudo o que tive tão perto se afasta, as tuas mãos, os teus beijos.
Tenho tanto medo de te encontrar, agora, que mesmo nunca te encontrando estás mais presente do que todos à minha volta.
Não vale a pena despedirmo-nos. Não vale a pena dizer quase nada. O que dizemos fica calado. Ouve-se só mais tarde. Aos poucos, baixinho, em segredo: são palavras que só nós sabemos .. e que matam devagarinho.
Era um crime fazer o que fazíamos, sentir o que sentíamos, viver o que vivíamos?
Parece. O meu castigo: desfez-se o sonho mais bonito que alguma vez tive.
A lucidez é insuportável. Às vezes bebo e ainda é pior.
Não ter coragem para me mexer. Ficar a sentir a dor que vem cada vez mais forte até julgar não poder crescer mais e crescer ainda.

O vazio causa a dor mais indizível de todas. Uma dor redonda e invisível como um buraco negro por onde toda a alegria e toda a esperança se esvaem.
Preciso de ti. Sabes o que é a solidão?

"sei que nunca voltará - e só assim posso amá-lo com tanta força e tanta certeza. só assim, nunca poderei perdê-lo!"

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

És tu a seguir em frente
e eu a ficar para depois.
Amo por dentro,
para dentro,
pelos dois.
É o amar para dentro
por dentro
dos sós.
És tu, já só tu, e eu ainda em nós.
Pedi-lhe que viesse uma vez mais para que de novo se despeça de mim.
E passados anos tantos que já nem cabem na lembrança, eu ainda choro como se fosse a primeira despedida.
Porque esse aceno, só esse aceno é meu. Todo inteiramente meu.
Um adeus à medida do meu tanto amor.
Já não tenho mais desse amor que a sua própria conclusão. Como quem tem um corpo apenas pela ferida de o perder.
Por isso refaço a despedida.
Seja esse o modo do meu amor se fazer nosso.
E eterno.
Não há razão para alarmes.
Só me apeteceu escrever sobre despedidas porque são reais, não porque vão acontecer. Apesar de, invariavelmente, acontecerem sem aviso. Mas...se fosse, de facto, uma despedida, não traria uma nota de rodapé!
E não me sai grande coisa hoje!
Saudades*

por Fernando Pessoa

Bernardo Soares
-A decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida. O coração, se pudesse pensar, pararia.
-Que me importa que o papel-moeda da minha alma nunca seja convertível em ouro, se não há ouro nunca na alquimia factícia da vida?
-E, com as mãos nos bolsos do casaco, eu fazia a avenida do meu quarto curto em passos largos e decididos. Cumprindo com o devaneio inútil um sonho igual aos de toda a gente.
-...e a poesia ou a literatura uma borboleta que, pousando-me na cabeça, me torne tanto mais ridículo quanto maior for a sua própria beleza.
-...são as minhas confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer.
(in O Livro do Desassossego)


Alberto Caeiro
-Pensar incomoda como andar à chuva.
-Se depois de eu morrer, quiserem escrever sobre a minha biografia, não há nada mais simples. Têm só duas datas: a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra, todos os dias são meus.

*
-Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas. Uma anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
-Se eu pudesse dizer aquilo que nunca te direi, tu terias de entender aquilo que nem eu sei!
F.P.

*
"Nunca, ao despedir-me, me atrevi a voltar-me para trás; tinha medo de vê-lo desvanecer-se, dissolvido no ar"
(Pierre Hourcade - àcerca de Fernando Pessoa)