Bernardo Soares-A decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida. O coração, se pudesse pensar, pararia.
-Que me importa que o papel-moeda da minha alma nunca seja convertível em ouro, se não há ouro nunca na alquimia factícia da vida?
-E, com as mãos nos bolsos do casaco, eu fazia a avenida do meu quarto curto em passos largos e decididos. Cumprindo com o devaneio inútil um sonho igual aos de toda a gente.
-...e a poesia ou a literatura uma borboleta que, pousando-me na cabeça, me torne tanto mais ridículo quanto maior for a sua própria beleza.
-...são as minhas confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer.
(in O Livro do Desassossego)
Alberto Caeiro
-Pensar incomoda como andar à chuva.
-Se depois de eu morrer, quiserem escrever sobre a minha biografia, não há nada mais simples. Têm só duas datas: a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra, todos os dias são meus.
*
-Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas. Uma anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
-Se eu pudesse dizer aquilo que nunca te direi, tu terias de entender aquilo que nem eu sei!
F.P.
*
"Nunca, ao despedir-me, me atrevi a voltar-me para trás; tinha medo de vê-lo desvanecer-se, dissolvido no ar"
(Pierre Hourcade - àcerca de Fernando Pessoa)
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