segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

"Wake up"

"Something filled up
my heart with nothing.

Someone Told Me Not to Cry

But now that I’m older,
my heart’s colder
.....I can see that it’s a lie." Arcade Fire


*
"il pleut dans ma chambre!" ... de olhos fechados, tropeçando em mim, na amalgama da triste não cumprição do meu desejo...
preciso de ti. sabes o que é a solidão? com medo de diminuir, deixamos de crescer. com medo de chorar, deixamos de rir.


*
"um segredo vale o que valem aqueles de quem temos de guardá-lo."
"o que o matou foi a lealdade a pessoas que, quando lhes chegou a hora, o atraiçoaram. nunca confies em ninguem, especialmente nas pessoas que admiras. são essas que te cravarão as maiores punhaladas."
Carlos Ruiz Zafón - A sombra do vento

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

a carta de amor

algum dia haveria de entrar na normalidade dos que te amam. ouço, adolescente, uma música adolescente, para me lembrar de ti, porque lembrar-me de ti é lembrar-me que não consigo esquecer-te. isto é uma carta de amor e é possivelmente ridícula (prova maior de que é, realmente, uma carta de amor), ou porque perdi o hábito de as escrever, ou porque nunca tive a coragem de as enviar.
não percebes porque é que não te falo? ainda nao percebes que na personagem que de mim eu enceno, não cabe a ameaça de uma derrota, a antecipação do desencanto, a sombra...? nao te falo, para nao saber que o que te digo é apenas a forma contida de te dizer outra coisa.
e depois afastamo-nos e quase fujo, porque sair de ao pé de ti é regressar ao que não és tu, o teu olhar, as tuas mãos, a tua alma e a tua voz e isso transformou-se no insuportável intervalo entre dois encontros.
a minha dor é que isto começou, sem o saber, durante aquele breve período de tempo em que sair de casa era a promessa reconfortante de ver-te e falar contigo. eu não sabia, mas o tempo ajudou-me a definir essa pequena dor, tão secretamente pavorosa: cada vez que estou contigo é como se a minha vida se virasse do avesso. e tenho medo, como um animal que instintivamente foge do que sabe não poder atingir.
este seria o momento de desmontar o discurso desta carta, de desdizer ironicamente o que já disse. mas as coisas são assim e esta carta é um acto de puro egoísmo, que eu até talvez nem tivesse o direito de praticar. é-te incómoda, necessariamente, e isso bastaria para que eu me abstivesse de a enviar dentro de um envelope azul. mas o azul fica-te tão bem, e as cores todas ficam em ti como tu ficas no mundo: exactamente.
mas, repito, esta carta é um acto de puro egoísmo, é como se não tivesse destinatário. e, no entanto, é preciso enviá-la, para que seja uma carta de amor, para que faça sentido como carta. podemos é imaginar uma saída elegante: para que possas conservá-la como pura carta de amor, quero dizer, sem o embaraço de saberes que ela te foi escrita por alguém a quem não correspondes, não a assino.
dou-te tudo: até a hipótese desta carta não ter sido escrita por mim.



adaptado de: Amor

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

"Cenas e Coisas Afins"

(ou algo parecido, nunca mais lá fui!)

A GRANDE METÁFORA!
A "O Homem do Leme" foi sempre do agrado de... si próprio. [o Tu ou o a Ti tem tido, ultimamente, conotações de teor demasiado especial neste blog. Por ser diferente e para alguém diferente neste post será "o homem do leme", sem deixar de ser dirigido a um tu]. E este homem do leme nunca percebeu que o outro Homem era uma enorme metáfora para a vida de muitos, a maior metáfora para a sua vida. Apenas por razões de não repetição, o primeiro refrão aparece só no fim. Por razões pessoais e intransmissíveis(infelizmente) e porque TUDO pressupõe uma conclusão...o segundo refrão virá, ainda, depois desse.

"Sozinho na noite,
um barco ruma, para onde vai?
Uma luz no escuro,
brilha a direito, ofusca as demais."
[ora o barco é o próprio homem do leme; a luz é a ideia, direita, fixa que ofusca tudo o resto...e o homem vai.]

"No fundo do mar
jazem os outros, os que lá ficaram.
Em dias cinzentos,
descanso eterno lá encontraram"
[o mar é a vida; "os que lá ficaram"...pois, Lá, como tudo o resto; "descanso eterno" porque, vá lá, nada se repete. e o homem volta.]

"No fundo horizonte,
Sopra um murmúrio, para onde vai?
No fundo do tempo,
Foge um futuro, é tarde demais"
[o murmúrio(meu), às vezes mais como um grito - ignorado - porque o homem "não está preparado"!!; "foge um futuro, é tarde demais"...nõ preciso dzer mais nada!]

"E mais que uma onda,
mais que uma maré,
tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé.
Mas vagando a vontade,
rompendo a saudade,
vai quem já nada teme,
vai o Homem do Leme."
[mais que essa onda, essa ideia que vai e volta como as marés, tentaram prendê-lo...legítimo. Legítima defesa, aliás! mas "rompendo a vontade" e tal, lá vai ele]

"E uma vontade de rir
nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder"
[agora esta vontade de rir é minha! porque a de ir, correr o mundo era do homem do leme e afinal... a vida é sempre a perder!]


As viagens fazem isto às pessoas! Lê-se para encurtar o tempo e o espaço, ouve-se muita música, e ainda tenho no meu iPod músicas que me fazem lembrar o homem, inclusive a "o Homem do Leme". Desta vez, prestei-lhe um bocado mais de atenção que o normal, fiz bem, fez-se luz!
Demorei. Agarrei-me demais. Tive esperança demais. Durante um ano inteiro. Afinal, acho que não vai haver café. Nrm resposta a perguntasque ocorreram agora ao homem. Porque esse homem perdeu o direito de ter respostas minhas quando deixou de me dar as dele. Falta de preparação!!
Aqui...humm...uma última resposta a um post muito antigo(e de muito mau gosto!!!) chamado "vanessa", numa outra paragem aonde nunca mais voltei.
Acho que é tudo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Os Três Mosqueteiros

Preâmbulo
"a vida tira de um lado e dá do outro"; "quando se fecha uma porta abre-se uma janela"... nem sei a quantidade certa de frases certas como estas... e não sei porque não interessa; porque no momento em que as ouvimos, ou que as dizemos, estamos demasiado envolvidos em sentimentos tão fortes (às vezes tão absurdamente gigantes) que não lhes compreendemos o significado. às vezes até levamos a mal. eu levei a mal. e a verdade é que não entendi.

"Aconteceu"
na mesma semana em que achei que a vida tinha tirado tudo, tinha virado tudo para o fundo daquele poço... incrível!... sem que desse conta, não virou, não tirou. ainda me custa a acreditar na forma como tudo se passou! é que ainda nem tinha bem dado "com os cornos no chao" do fundo desse poço...tinha só caído tão mal, com tanta força que ia a bater em todo o lado. e fui salva. como se fosse a cair a alta velocidade e já inconsciente e me lembrasse só das vossas mãos a puxar-me, a salvar-me, a impedir-me de cair ainda mais fundo. entrámos sem pára-quedas nas vidas uns dos outros e fomos, uns para os outros, o pára-quedas..dando as mãos, segurando-nos, os três. sem saber como ou porquê. sem saber o porquê de precisarmos, cada um de nós, de ser salvos, cada um de nós, à sua maneira; sem saber como, como salvar, de que salvar... sem saer nada e a vida sem saber de nós! porque nem que a houvesse, não haveria maneira de entender a forma como ficámos tão próximos. a pouco e pouco, às vezes a muito custo e à custa de muitas lágrimas, fomo-nos percebendo, compreendendo, ajudando... fomo-nos conhecendo e foi delicioso revelarmo-nos. tivemos medo? temos sempre! é viver.
e depois eu fugi... eu fujo sempre. porque vi o poço outra vez. mas desta vez, vi-o por antecipação, vi-o por preocupaçao (=pré-ocupação-da-mente).

"Acontece"
exactamente um ano depois...
alguma coisa (as insónias..a mim) nos faz pensar muito em tudo o que temos e tudo o que somos! e eu vi que o que sou, agora, e o que tenho, agora, se prende e passa pelos três mosqueteiros. inevitavelmente [sorriso]. dois deles estão longe... mas estão felizes, estão bem e estão juntos. e se estão juntos, estamos todos. as saudades magoam muito... mas temos de crescer, não é? temos de passar por situações que nos provem que resistimos a tudo.
"o amor da julieta"
só há um dartacão... e nem sequer é um dos 3 mosqueteiros...é o dartacão...! o amor da julieta..espera, a julieta também não é mosqueteiro...o amor dos mosqueteiros, são OS mosqueteiros, são a força que é o serem "um por todos e todos por um", somos nós! (curriqueiro sermos mosqueteiros? talvez... porque mais ninguém foi à luta como fomos juntos, mais ninguém entende as mãos que demos e os abraços fortes, em alturas de noites muito más, muito tristes, muito dificeis...em tempos de guerra. curriqueiro sermos mosqueteiros? só para os outros! os que não entendem).
esta nova fase não vai ser má. vai ser óptima... ao minimo sinal de poço, corro para aí, para darmos as mãos e planarmos no ar, sem cair, sem bater em nada. só é mau quando estamos sozinhos...

Epílogo
a verdade, meus dois mosqueteiros, é que não estamos. é que é preciso correr o mundo todo e perceber que o castelo mais bonito, o tesouro mais precioso, a luta mais justa e a que tem melhores resultados é aquela que está onde está o nosso coração.
o mais importante é ter o nosso coração aonde ele pertence, mesmo que estejamos a mil milhões de quilometros de distância; o mais importante é termos No nosso coração aqueles que ao nosso coração pertencem, mesmo que muitos passem por lá e tentem parti-lo...porque se tivermos aqueles que dão as mãos e os abraços e as certezas... depressa o nosso coração é tratado, e ganha força.
quando a vida fecha uma porta, abre uma janela? isso depende só do ponto de vista. a minha vida fechou-me uma casa, fechou-se como a conhecia, trancou-se... mas abriu um palácio tão grande e que eu nunca tinha visto que agradeço todas as portas que se fecharam antes... de resto, se não se tivessem fechado, talvez nunca tivesse percebido que palácios precisavam ser abertos.

com muito amor... um GRANDE GRANDE erasmus para os meus mosqueteiros.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

"old fashion"

A.
o problema é que nem entendes que pouco me importa.
deste conta.
sim. e mesmo que não tivesses dado.
não deste conta.
porque não sabes nem imaginas o que se passa, o que se sente, o que eu sinto... o que não mostro.
e se, às vezes, acho que não tenho maneira de to mostrar... outras vezes acho que não tenho nada para te mostrar de novo...nem de velho. nem de sempre, nem de nunca. nem nunca.

porque és diferente de tudo o que imaginei.
e és diferente porque nunca tinha imaginado.
é muito complicado quando o que nunca imaginámos, é diferente. [e bem temos imaginado.]

*
B.
o que não entendes, é que não há problema que não te importes.
não deste conta.
sim, não darás nunca.
deste conta.
porque só porque o sinto, o sentes também, o que se passa, passa por ti, mesmo sem que o saibas, porque... to mostro.
mesmo sem ter maneira de to mostrar, tudo o que sentes... não é novo, porque é de mim, porque vivo diferente de ti, nunca tão longe. mas velho, sem o ser em sentimento, que se renova..é em tempo que nunca se encurta, que nunca sempre, que sempre, para sempre..pode nunca mais ser...

...diferente. porque é como imaginei, sem nunca imaginar que fosses...diferente.
porque és, para mim, sempre só para mim, menos complicado.
porque és a certeza.

entra por qualquer porta onde eu esteja, agora[qualquer uma das que abro, ou fecho, dessas por onde passo]... basta que entres e me vejas no espaço e tempo em que te vejo e vou contigo e digo-to antes que mo perguntes.
e mesmo que me digas que tudo correrá mal amanhã... que tudo se irá desfazer, desmontar, desmembrar, desvanecer amanhã... mesmo nessa certeza de que tudo será perdido e desfeito...
mesmo que seja o maior engano da minha vida [e da tua]
sim

*
A./B.
sim
vou contigo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

(e não é metade do que sinto)

"o que escrevo é só um código secreto de mim para mim, passando, inevitavelmente... por Ti"
tudo e tanto mudou na minha vida, neste 2008..não sei porque te digo tudo isto... nem sei porque o penso (é normal, nunca sei) 

às vezes tenho medos... tantas vezes e tantos medos... e olho para mim, para a minha vida..e penso que tinha de ser tudo diferente... mas é desta maneira e nao quero que seja de outra.

se me faz falta Alguém!? tanta falta!

se preciso de alguma coisa que não tenho?! [hesitei tanto aqui, antes de continuar]....... preciso de alguém (alguém mais, mais alguém, Aquele alguém)

essa falta bloqueia-me a vivência, a existência, a vida? não. só algumas noites, algumas insónias, alguns acordares.
sinto-me feliz hoje (mas é so hoje e passa depressa...entre o momento em que adormeço e o momento em que acordo, mais outra coisa enorme se desfaz dentro de mim, incontrolavelmente, inexplicavelmente) mas neste momento em que te escrevo, sem pensar bem no que escrevo, sem saber bem porque o faço para ti..estou feliz.
porque começo a aprender que as minhas faltas não devem nunca, nunca, fazer-me sentir medo, fazer-me parar... tenho a vida que tenho, não a que gostaria... mas já não estou em condições de achar que a que gostaria, a que idealizei, é melhor do que a que tenho. porque não é. porque é assim que se continua...é assim que se cresce... é delicioso crescer, nesta que é a melhor fase desta vida que vivo... da vida que desejei viver, mesmo sem o saber, enquanto idealizava a que nunca terei... o ideal nunca se encontra..se se encontrasse, parar-se-ia... o ideal é para imaginar.. e mesmo aí, não falhei! imaginei o melhor, sempre! SEMPRE! fazes parte dele.

afinal, não escolheria nunca outra vida, outra maneira de a viver...

domingo, 31 de agosto de 2008

Sempre...só isso nos prova que é maior.

e mesmo que não seja para sempre
que seja maior
que tudo, que nós, que o tempo
(o espaço)
o escuro da noite em que to digo
em que te encontro cada (qual?) noite;
em que to provo e mostro
esta (qual?) noite...
uma em que te falte (te doa)
a presença (certeza) do amor que
sempre
é.


um amor
(qual noite?)
que não se mede
(qual amor?)
porque não há razão
(qual certeza?)
que justifique fechar o coração
(o meu?)
para sempre
em busca da certeza (do teu?).



"a minha juventude não foi mais

do que uma tempestade de sombras,

atravessada aqui e além por raios de luz"

Charles Baudelaire


"o que é que quer dizer uma menina gostar de um menino ou um menino gostar de uma menina?quer dizer: fazerem tudo um pelo outro. e o que quer dizer um menino gostar de uma menina que também gosta desse menino? isso é o fim do mundo.

de vez em quando, muito de vez em quando, há um fim do mundo. o mais engraçado é que ninguém nota. o menos engraçado é que ninguém aprende."

terça-feira, 26 de agosto de 2008

aqui (Lá)...

aqui ainda podemos esquecer-nos
aqui ainda podemos fechar os olhos e sonhar
aqui ainda podemos sorrir como se nada fosse
aqui ainda podemos ser pequenos em tudo
aqui ainda podemos estar mortos e ler o jornal todos os dias
aqui ainda podemos ir cedo para casa
aqui ainda podemos estar no café com os amigos
aqui ainda podemos
em silêncio esperar.

domingo, 6 de julho de 2008

Mágico no Peito

"Um dia tudo acaba, Sem perceberes porquê, num acorde de guitarra vês o mundo mas ninguém ninguém te vê. As sombras que falam, te ouvem e dizem: eu sou a noite.
Então sentes o frio de uma qualquer cidade aberta, sabes que as ruas estão contigo, só o teu corpo está em parte incerta. O vento que gritas, mais alto que o nome, que o medo de ti...
Desenhos, desejos, nos lábios, no sangue de uma parede qualquer.
E sobre a mesa, um mar fechado, uma aguarela feita de luz, um passado nunca acabado, e um beijo que alguém depôs. Palavras, traídas, que fogem e dizem: não me deixes nunca.
Aqui, o tempo não é tempo é só o chão que ninguém pisou. Trazes um louco no pensamento e um verão que se eternizou. Estradas que soltas dos olhos, dos mundos que trazes em ti..."

*

vou de novo, dentro de um casaco azul e verde... àquela estação de comboios...foi certamente a primeira estação de comboios do mundo..e ainda não existia naquele novembro. e vou, de novo,
com as mãos muito transpiradas e muito frio no corpo todo...o medo a sair-me do corpo...com medo que não estivesse lá. com medo do que diria. -e se não estiver lá?- e estava lá. (é mentira que não se pode apaixonar por uma pessoa duas vezes) pode apaixonar-se todas as vezes, todos os dias, desse novembro... todas as manhãs acordadas, ou noites a adormecer. só porque se olha para ela, como se fosse a primeira vez... e a primeira vez foi a certeza...para quê fugir?


ele tinha aquelas calças verde tropa, com os bolsos dos lados, e estava mais alto...parecia, ao longe... e estava com medo, mãos suadas, o corpo todo com frio... -e se eu não fosse? ele tinha-me magoado, ou ele achava que sim.. o que me ia dizer? e se eu não fosse?...- e eu fui... mãos suadas, já sem frio no corpo...os dois a andar, parámos no meio da linha e vi que ele não estava mais alto...ou então tinhamos crescido os dois.


vi que ainda encaixava no abraço dele, vi que não ia desaparecer, ia ficar sempre ali, naquele abraço. era aquele o meu lugar no mundo, era o dele, outra vez... a mesma redoma a proteger-nos. ele encontrou-me desta vez, e pode nunca mais encontrar.

agora
só penso nele quando ele pensa em mim... isso posso jurar-to porque só me lembro dele quando dou conta que ele está a pensar em mim. e se estiver a dormir e acordar, e ficar muito quieta, demoro sempre um tempo até perceber o que é que me fez acordar... e os poucos, sinto que foi ele, por estar a dormir e a sonhar comigo. foi o que aconteceu naquela noite.


fiquei muito quieta até perceber porque tinha acordado, e depois senti e fiquei ainda mais quieta para não reabrir a ferida... e depois levantei-me... sentei-me num daqueles banquinhos pequenos que não servem para nada e acendi um cigarro. enquanto sentia tudo o que foi a minha vida, que estava a dormir e a sonhar comigo naquele momento. a minha vida.

(NÃO SE VÊ E EM MIM QUASE NÃO CABE) há muito tempo. tanto que não se diz... porque é muito e já parece quase mentira. um dia conto-te a história do amor da minha vida. um dia escrevo-a num livro, para mim, para eu a ler como se fosse a história de outra pessoa. vou lê-lo até já não acreditar que foi comigo... com ele... talvez o leia quando acreditar em histórias de amor.

talvez até lhe escolha um final feliz. tão feliz que não se diz.

terça-feira, 1 de julho de 2008

"E, amor a amor, ou livro a livro, amemos"

Quer pouco: terás tudo.
Quer nada: serás livre.
O mesmo amor que tenham
por nós, quer-nos, oprime-nos.
Não só quem nos odeia ou inveja
nos limita e oprime: quem nos ama
Não menos nos limita.
Que os deuses me concedam que, despido
de afectos, tenha a fria liberdade
dos píncaros sem nada.
Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada
é livre; quem não tem, e não deseja,
Homem, é igual aos deuses.



Não sei se é amor que tens, ou amor que finges,
O que me dás. Dás-mo. Tanto me basta. (...)
Falso que seja, a dádiva
é verdadeira. ACEITO,
cerro os olhos: é bastante.
Que mais quero?

Ricardo Reis

Pudesses tu...

...entender que nada mais há para procurares em mim.
Que te sou perto só porque não te sei ser longe e que te sou porto de abrigo sabendo-o por ti e por mim na falta que tens de te saberes destas coisas ou na capacidade de fingires que não as sabes.
Pudesses tu entender, e eu conseguir e querer-te explicar, que o colo que te posso dar nem sequer tem força para existir, apenas está cá porque te pertence.
Soubesses tu, se quando vens te deixasses ir vazio, que nada há a não ser tudo aquilo que me pedires na falta da força de ter algo mais para dar.
Que queres mais, agora que me levaste, mesmo não me tendo?
Sendo-te eu e tu só te sendo.
Sim, não me tens.
(não com a força que me tenho em ti)
Dei-te tudo o que pude. Acho até que me roubei para te dar.
Às vezes, chego a pensar que te queres de volta, que me queres roubar o que te tenho em mim.
Se tu soubesses...não o farias.
O que te tenho em mim é muito mais do que és, muito mais do que te podes ter.

E agora...
Agora nao te chegues assim depois de me fugires.
Não me toques no ombro como quem chega sem ser esperado, que o susto do coração parado não é igual ao do saber-te perto.
Não te chegues agora que te estava a obedecer na ordem de me afastar.
Mais uma destas e matas-me.
Mais uma destas e nunca me vou ter, nem por um bocadinho, na falta de tempo de te conseguir ter menos.


"Finally he said, I have had word from – and here he name the dear name – that I shall not come again. I saw the dear face and heard the unspoken words, No need to go to him again, even were it in your power.
(...)
Nothing is left to tell.

Pause.

Knock." Samuel Beckett

segunda-feira, 30 de junho de 2008

porque eu sei que sabes que é para ti

e porque não preciso sequer de to dizer...mas digo!

terça-feira, 24 de junho de 2008

No Rasto...

"outros, felizes, sejam rouxinóis...
[...]
violências famintas de ternura."


















"reabre o céu depois da trovoada no azul do dia...o azul com que se fazem os deuses e a poesia."(16.07.04)
saudades... tantas! e nem há como dizer-lhes para irem embora. sabes, ainda bem que ficam... é! aquele aperto forte que dá...para provar e lembrar que estamos cá, mas também estivemos lá, àquele tempo todo atrás "olhas e não vês. na procura descobres o vazio; em ti o mundo...à espera de ti"
mais uma vez: ele espera é por nós! "Reinos Maravilhosos. o que é preciso[é que(...)]o coração depois não hesite."

"please remember me
when I am gone from here
Please remember me
but not with tears...
remember I was always true
remember that I always tried
remember I loved only you
remember me and smile."

"There was nothing in the world that I ever wanted more
than to never feel the breaking apart
All my pictures of you"

THE CURE

«Teremos sempre "Paris"»

"dou-te um beijo, agora, digital" e a esperança pelo reencontro

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Ontem não te vi...

"deviam sepultar as pessoas com tudo o que lhes diz respeito impedindo-as de continuarem a incomodar-nos à superfície do mundo, de que serve morrer se permanecem aqui com duzias de lágrimas prontas a surgir de cada gaveta, cada arca, cada ângulo de memória solicitando
- chorem-nos"

Ontem não te vi em Babilónia, António Lobo Antunes

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Truth...(?)

How could you hurt me like this?
How could you fear me like this?
I know that all the words are just words I think that you don't know what it means...
I think that it might be true, I think I've been a fool, don't you think?
All I've done now, all I've said... All I've read, it was for real
But I know that dreams are just dreams And I know that
You're not what it used to be love
All I've known, all I've feared... All I've said it was for real
How could you hurt me like this? How could you fear me like this?
I know that all the words are just words
It can't be real.

*
Leave me dreaming on the bed, see you right back here tomorrow, for the next round.
Keep this scene inside your head, as the bruises turn to yellow, the swelling goes down...
Saw you crashing round the bay, never seen you act so shallow, or look so brown.

Remember ALL the things you'd say, how your promises rang hollow,
as you threw me to the ground...

When I dream, I dream your lips. When I dream, I dream your kiss. When I dream, I dream your fists.
Leave me bleeding on the bed...see you right back here tomorrow.
And if you're ever around, in the city or the suburbs of this town... be sure to come around...
I'll be wallowing in sorrow, wallowing in pity... wearing a frown, like Pierrot the clown... clown.







"Felizes nós?
Ah! Talvez, talvez naquela terra, daquela vez."(Fernando Pessoa)

I Will Wait My Turn To Terrorize YOU.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Dream with someone else's dream

How many times I wake up at night
Feeling so scared

How many times I waited to share
This kind of feelings
But you were not there

How many tears
Fell down from my eyes

How many fears
Grew up in my mind

So why cannot find
The true love of mine?

I wish you could see
I wish you could feel
I wish you could be
The true love of mine...

I can´t take it anymore
I'll not have you anymore...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Em 2008:

não voltar a dar-te a mão.
não acreditar em coisas que são inacreditáveis e irreais e mentiras.
não chorar quando te fores embora, porque só se pode ir embora uma vez e essa vez já foi.
não me vestir toda de preto.
não ficar triste por ja nao te dar a mão.
não ficar triste por nada.
falar contigo "clara e sinceramente".
dar-te a mão de novo.
poder chorar porque, afinal... e sorrir.
(tinha prometido nao acreditar)
Não me iludir.

"Eu quero estar lá quando tu tiveres de olhar para trás.
Sempre quero ouvir aquilo que guardaste para dizer no fim.
Eu não te posso dar aquilo que nunca tive de ti,
mas não te vou negar a visita às ruínas que deixaste em mim.
Se o nosso amor é um combate então que ganhe a melhor parte.
O chão que pisas sou eu.
O nosso amor morreu (quem o matou fui eu)."
Linda Martini - Amor Combate







a minha vida toda por um antigo beijo teu.

dos antigos mesmo, dos primeiros