terça-feira, 1 de julho de 2008

"E, amor a amor, ou livro a livro, amemos"

Quer pouco: terás tudo.
Quer nada: serás livre.
O mesmo amor que tenham
por nós, quer-nos, oprime-nos.
Não só quem nos odeia ou inveja
nos limita e oprime: quem nos ama
Não menos nos limita.
Que os deuses me concedam que, despido
de afectos, tenha a fria liberdade
dos píncaros sem nada.
Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada
é livre; quem não tem, e não deseja,
Homem, é igual aos deuses.



Não sei se é amor que tens, ou amor que finges,
O que me dás. Dás-mo. Tanto me basta. (...)
Falso que seja, a dádiva
é verdadeira. ACEITO,
cerro os olhos: é bastante.
Que mais quero?

Ricardo Reis

Sem comentários: